O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que após a forte crise financeira mundial, a economia brasileira este ano dará demonstrações de vigor e dinamismo, devendo crescer entre 5,5% e 6%.“Mas tem gente aí falando em crescimento de 6,5% até 7%. Eu acho um pouco exagerado. Eu tenho sido mais modesto e fico nos 5,5% a 6%”, reforçou.
Para o ministro, este desempenho derruba um mito disseminado algum tempo atrás de que a economia brasileira só podia crescer pouco, não mais que 3% e 3,5%, porque gerava inflação e distorções.
“Nós mostramos que não era verdade. A economia brasileira tem condições de crescer mais. Estamos começando um novo ciclo que deverá perdurar mais pelos próximos anos”, ressaltou Mantega durante seminário promovido pelo Diretório Nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
O ministro da Fazenda destacou que o incremento mais forte não aconteceu por acaso. Deve-se à implantação de uma nova política econômica e social no País. O governo atual, afirmou, optou por impulsionar o crescimento a partir ação do Estado e não do mercado, como na gestão anterior.
“É incorreto dizer que esse governo continuou uma política econômica que já existia. Houve uma mudança muito grande, uma diferença fundamental. O Estado foi revigorado e passou a estimular o crescimento maior”, reforçou.
Ao apresentar o panorama da economia para integrantes da CUT, o ministro apontou que o crescimento econômico atual gera mais emprego. “É um novo estilo de crescimento, que estimula a pequena agricultura familiar, oferece mais crédito para a construção civil e diminui tributos da pequena e média empresa”.
Guido Mantega destacou ainda que a forte inclusão social é outro ponto de destaque no atual ciclo de desenvolvimento. Citou os programas de distribuição de renda para os segmentos mais pobres e comparou com outros modelos.
“Todo governo tem programa social. Mas tem os programinhas e os programões. Uma coisa é você distribuir vale leite, água, farinha. Outra coisa é você fazer programa social articulado, organizado, que leve a população a estudar e a ter melhores condições”, observou.
Ele acrescentou que a nova política econômica priorizou o investimento e fortaleceu o País. Ele refutou a tese difundida por analistas e articulistas de que o bom desempenho da economia tenha sido uma questão de sorte.
“Quando aconteceu a crise financeira mundial, acabou a sorte? Muita gente até ficou entusiasmada porque achou que era o momento de nos desmoralizar, mas caíram do cavalo”, disse Mantega. “Neste momento a economia já está aquecida e voltou ao patamar pré-crise, quando crescia vigorosamente”.
O ministro destacou ainda a opção do governo de implantar uma política industrial e disse que esta será a década da infraestrutura. “Tivemos que fazer um forte programa de recuperação de rodovias, ferrovias, portos, além de implantar a indústria naval. Mas isso não caiu do céu. São políticas específicas do governo”, lembrou.
Mantega afirmou que o Brasil voltou a ter grandes projetos de infraestrutura e citou os investimentos nas usinas hidrélétricas do Rio Madeira e Belo Monte, ferrovia Norte-Sul, trem-bala, rodovias, gasoduto, entre outros.
Também lembrou os programas de estímulo à habitação, que superaram 2,7 milhões de financiamentos, além do Minha Casa Minha Vida, com perspectiva de construção de 1 bilhão de moradias. “Hoje, vivemos um boom da construção. Está falando mão-de-obra. O que é um problema excelente, porque é melhor faltar mão-de-obra do que emprego” comentou.
O ministro reafirmou que o crescimento econômico do Brasil é sustentável, porque não provoca desequilíbrio das contas públicas. “Estamos crescendo sem gerar inflação, sem aumentar a dívida pública e sem formar gargalo”.
Lembrou que somente na área de comércio exterior o Brasil triplicou o movimento, aumentando a demanda nos portos e aeroportos. “Com o PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento) nós ganhamos velocidade para investir em infraestrutura”.
Mantega garantiu que o crescimento não vai gerar bolha e lembrou a ação do governo para evitar excesso de entrada de dólares no mercado interno em função da crise nos países avançados. “Quando houve excesso de entrada de capitais, colocamos IOF (Imposto sobre Movimentação Financeira) para conter movimento especulativo”.
Ao falar sobre a solidez econômica do País, Mantega disse que a redução da vulnerabilidade externa, com aumento das reservas internacionais, foi fundamental para o enfretamento da crise.
Revelou que nas últimas semanas, com impacto da crise européia no desempenho da Bovespa, o Brasil registrou uma saída de capital no valor de US$ 2 bilhões. “Antes, isso paralisava o País. Graças á solidez das contas externas, estamos vacinados. Temos um colchão de liquidez contra esse tipo de turbulência”
O ministro disse que, por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo federal abriu espaço para que os estados pudessem tomar crédito em organismos internacionais ou no BNDES para realizarem projetos de investimentos.
Segundo ele, entre 2007 e 2010, juntos, os estados foram autorizados a contraírem financiamentos de mais de R$ 40 bilhões. “Este ano, o Rio de Janeiro, por exemplo, foi autorizado a tomar empréstimo de até R$ 5,3 bilhões”, disse o ministro, referindo-se ao recente convênio assinado com o governador Sérgio Cabral.
Fonte: Assessoria de Comunicação Social - GMF