A crise mundial, que chegou às boleias dos caminhoneiros brasileiros e atingiu seu ápice em maio, está ficando para trás. Caminhões que eram vistos parados nos postos que margeiam as rodovias do país à espera de contratos de cargas por até 10 dias já estão em movimento.O combustível que dá alento ao setor é a retomada da economia. “Vem melhorando gradativamente”, garante o presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho. Ele calcula uma alta de 25% tanto nos contratos de cargas quanto nos valores cobrados pelo frete.
Em Minas, o presidente regional do União Brasil Caminhoneiro, José Carneiro, diz que o aumento nos negócios foi ainda maior. Chegou a 80%. Mas vale lembrar que setores que são fortes no estado, como o siderúrgico, também foram mais atingidos pela turbulência financeira que desequilibrou o mundo em setembro do ano passado.
“Não falta mais trabalho”, afirma Carneiro, que também é presidente da Cooperativa de Transporte Rodoviário e de Consumo do Estado de Minas Gerais, lembrando que o setor amargou seis meses com os caminhões rodando pouco. Botelho acredita que perto de 30% da frota nacional, composta por cerca de 2,1 milhões de veículos, ficou praticamente parada no auge da crise. “Eram uns 600 mil caminhões encostados”, diz. Agora, ele calcula uma ociosidade máxima de 8%. “Mas deve zerar até o fim do ano”, observa. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais são os estados com maior movimentação de contratos.
O conselheiro da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Vander Francisco Costa, afirma que a melhoria dos negócios do setor é puxada pelo aquecimento da economia, principalmente do mercado interno. “Mas mesmo os segmentos voltados para a exportação já dão sinais de retomada”, afirma. Contratos para transporte de ferro gusa, aço e minério de ferro voltaram a ser fechados.
“A perspectiva atual é melhor do que a que tínhamos nesta mesma época do ano passado, quando estávamos no início da crise mundial”, observa. Em agosto, por exemplo, as carretas carregaram, no país, 93,5 milhões de toneladas em produtos diversos. A alta, de 1,4%, foi a terceira consecutiva, de acordo com o último levantamento feito pela CNT. A recuperação maior foi verificada nas cargas industriais, que apresentaram um aumento de 2,4% e fecharam o mês com uma movimentação de 45,5 milhões de toneladas – a maior registrada no ano.
Na comparação com setembro de 2008, Botelho calcula até um aumento no volume de contratos, da ordem de 12%. “Passamos por momentos de agonia, mas agora tudo está muito melhor”, observa. Tanto que muitos dos caminhoneiros que estavam com as prestações dos caminhões atrasadas já começam a quitar seus débitos.
Combustível mais barato - Além do aquecimento da economia, a redução no preço do óleo diesel, em 9,6%, também ajudou na recuperação do transporte de carga no Brasil. A expectativa era a de que o governo promovesse uma nova queda até o fim do ano. “Mas agora, diante dessa melhoria, duvido que caia mais”, observa Botelho. Carneiro lembra que chegou a falar com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em reunião que representantes do setor fizeram em Brasília (DF), que era reduzir o preço do diesel para que os caminhões voltassem a transportar o crescimento do Brasil. “Caiu. Foi uma das alavancas para a retomada, mas poderia ter caído mais”, pondera.
Fonte: www.webtranspo.com.br