Medida passou a vigorar em meados do ano passado. No entanto, atualmente, entidades ainda debatem o assunto
No dia 30 de junho de 2008 entrava em vigor uma lei, polêmica, que afetaria, e muito, o setor de transporte de cargas na cidade de São Paulo. A restrição de caminhões em uma área de aproximadamente 100 quilômetros, chamada de Zona Máxima de Restrição, determinava a proibição de veículos de grande porte nas marginais e no centro do município.
Mais de um ano depois de entrar em vigor, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), houve uma redução de aproximadamente 62% no número de caminhões na cidade e, com isso, uma consequente diminuição de 22%, em média, de congestionamento ao longo do dia na região.
Em contrapartida, entre maio de 2008 e o mesmo mês deste ano, a companhia apontou que o número de veículos de menor porte cresceu quase cinco vezes mais que o de caminhões. O “Resumo Mensal” do órgão indica que no período a frota de utilitários da capital passou de 561,9 mil para 624,4 mil, um incremento de 11%. Já a frota de grandes caminhões subiu apenas 2,99%, atingindo a marca de 166,6 mil veículos no mês de maio.
Para Francisco Pelucio, Presidente do Setcesp (Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região), este aumento representa mais custos no bolso do transportador e também no da população.
“Com as restrições, os profissionais que atuam neste setor foram obrigados a investir em frota, pois são necessários, em média, de três a quatro veículos utilitários para transportar a carga que seria movida por apenas um caminhão”, argumenta.
E prossegue: “isso representa mais custos com pessoas, combustíveis e manutenção, por exemplo. Desde o início desta regra, o custo do frete subiu aproximadamente 15%, e isso, chega ao bolso do consumidor”.
Outro fator apontado por Pelucio foi a questão do índice de acidentes. “Hoje se vê muitos acidentes com grande carretas nas marginais durante a madrugada ou no início da manhã, isso acontece porque os motoristas tentam fugir da restrição. No entanto, cada acidente faz a cidade sofrer com congestionamentos gigantes ao longo de todo o dia”, indica.
Com o objetivo de debater as restrições aos veículos de carga, a mobilidade urbana e o abastecimento no município o Setcesp realizará na próxima quinta-feira, 13, o “21° Fórum Paulista do Transporte: Abastecimento Urbano – Imprescindível para São Paulo”.
Segundo a entidade, o evento reunirá especialistas do setor e autoridades governamentais - entre elas Gilberto Kassab, Prefeito da cidade, e Alexandre de Moraes, Secretário de transportes-, para falar sobre os principais problemas do trânsito e da circulação de cargas na capital.
“Não são os caminhões que atrapalham a mobilidade urbana em São Paulo, e sim o grande número de carros particulares que entram em circulação todos os dias na capital. Nosso objetivo é gerar um debate franco e democrático para buscar alternativas para a questão”, pondera Pelucio.
E finaliza: “temos falado bastante com o governo. Esperamos que, agora, nosso argumentos sejam ouvidos por eles”.
O evento acontecerá na sede da entidade localizada na Rua Orlando Monteiro, 1 , Vila Maria, São Paulo. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 2632-1062 ou no site www.setcesp.org.br
Fonte: webtranspo.com.br