Os transportadores não puderam comemorar por muito tempo a queda de 9,6% no preço do diesel na bomba. Tão logo a notícia veio à tona, começou a pressão de embarcadores pela redução dos fretes.
“Para a nação foi uma ótima notícia, nem JK fez isso. A medida vai entrar para a história. É uma prova de que o governo está compartilhando com a gente as dificuldades desta crise”, comemora o empresário catarinense Emílio Dalçóquio que administra uma frota própria de 600 caminhões. Mas logo em seguida vem o outro lado da análise: “Claro que haverá uma redução nos custos, mas temos que ver se teremos condições de repassar algum desconto para o embarcador. O problema é que o frete já estava defasado. Por exemplo: em 2008 o governo aumentou o diesel em 15% e não repassamos este custo para nossos clientes”.
Para o empresário, com cada cliente vai acontecer um tipo de negociação diferente, considerando o histórico de cada um. “Quanto mais o cliente exige de nós, mais fácil será a negociação. Por exemplo: trabalhamos em grande parte com produtos perigosos e o embarcador sabe que, sobretudo neste segmento, o barato pode sair muito caro.”
O diesel representa em média 30% na planilha de custos da empresa. Com a redução, Emílio estima que terá uma economia mensal de R$ 300 mil em média, “quase um caminhão novo por mês”.
Além de distribuição de derivados de petróleo, atividade tradicional da empresa catarinense, pelo menos metade do faturamento da Dalcóquio atualmente vem do transporte de chocolates, pneus e polietileno.
NTC - Com a redução no preço do diesel, o governo declarou que os fretes poderão baixar, mas a realidade do setor é outra. De acordo com o presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), Flávio Benatti, o setor não conta com margem de lucro suficiente para reduzir os preços do frete.
“Neste momento não vejo a possibilidade de reduzir o frete, pois o setor ainda tenta se recompor da defasagem de anos”, afirma Benatti. Um estudo sobre o aumento dos insumos praticados fez com que o setor repassasse os custos aos clientes (7,6%) e o diesel é uma pequena fatia deste montante, sendo, em média 2,9%.
“O setor passa por dificuldades de se restabelecer financeiramente por isso a grande dificuldade em conceder descontos”, explica o executivo. Para o presidente da entidade mesmo se o repasse fosse feito, o custo final dos produtos não seria alterado. “Se for um produto agrícola, no qual o frete tem grande peso - cerca de 8% - a redução no custo final seria de 0,17% e para um eletroeletrônico, onde o frete pesa 2%, a queda seria de 0,04%”, concluiu.
Fonte: www.cargapesada.com.br