Apesar de não haver informações definitivas sobre o déficit de motoristas dentro do padrão exigido atualmente pelas empresas de transporte, a falta de profissionais com melhor preparo para operar os caminhões mais modernos começa a se despontar como um problema para o setor do transporte rodoviário de cargas
A modernização do transporte rodoviário de cargas no Brasil, com utilização de caminhões cada vez mais sofisticados e potentes, aliada a modernas e eficientes técnicas de gestão empresarial, estão levando o setor a uma dificuldade que, pelo menos aparentemente, já causa preocupações: a falta de motoristas capacitados para operar de maneira correta esses novos e valiosos caminhões, assim como se portarem e agirem como verdadeiros gestores de transportes. Ou seja, um novo perfil exigido pelas empresas para os seus carreteiros.
O assunto preocupa e embora não existam informações definitivas sobre o déficit de motoristas dentro desse padrão, a maioria das grandes empresas recusa muitos candidatos e os que são aprovados passam por intensos programas de treinamento para se adaptarem - ou não - ao modo de trabalho da organização. "Candidatos existem muitos, porém são poucos os que estão dentro do perfil exigido atualmente", explica um empresário do setor.
Além de saberem dirigir, terem feito cursos de aperfeiçoamento, curso de Movimentação de Cargas Perigosas, noções de informática e preferencialmente de espanhol, o candidato também precisa ter boa aparência, cordialidade e, claro, passar pelos inúmeros testes a que será submetido durante a avaliação no departamento de RH. O número de reprovados é grande. Justamente por isso há motoristas no trecho que nem pensam em se candidatar a uma vaga numa grande empresa. Alguns por não terem os requisitos básicos, outros pela falta de experiência comprovada em carteira e outros itens e - finalmente - por entenderem que não vale o sacrifício para uma atividade mal remunerada, perigosa e que exige muito do profissional que está ao volante.
No ano passado, Fetcesp, Sest/Senat, Escola do Transporte e o IDT (Instituto de Desenvolvimento do Transporte) realizaram uma pesquisa em 14 empresas de transportes de cargas visando identificar elementos necessários para a qualificação dos motoristas. A pesquisa mostrou as dificuldades enfrentadas pelas empresas na contratação. Os resultados revelaram que 71% dos profissionais têm grau de escolaridade insuficiente, 64% têm qualificação profissional abaixo do exigido, 64% têm saúde comprometida, 57% apresentaram perfil comportamental inadequado e metade tem vícios de trabalho não condizentes com o que as transportadoras procuram.
A principal preocupação é referente à exigência da experiência comprovada em carteira, uma dificuldade para muitos carreteiros, que trabalham sem nenhum tipo de registro trabalhista. O problema é para quem está começando na profissão.
Fonte: Revista O Carreteiro