A concessão de novos trechos de rodovias estaduais para empresas privadas, decidido em leilão na semana passada, vai elevar o gasto com pedágio em quatro dos cinco lotes de estradas. O custo das tarifas dobra em alguns percursos e em viagens mais longas o motorista poderá gastar até quatro vezes mais em pedágios em relação ao que paga para rodar hoje.
A única exceção é o corredor formado pelas rodovias Ayrton Senna e Carvalho Pinto, que tiveram a tarifa com o maior deságio do leilão. De acordo com a tabela de tarifas da Agência de Transportes do Estado (Artesp), o motorista de um carro de passeio que dirigir entre São Paulo e Taubaté pelo corredor, após o início da concessão, gastará R$ 6,50 com os pedágios. Hoje, esse gasto é de R$ 13,50.
A tabela da Artesp mostra que nos demais lotes do leilão o motorista terá que desembolsar mais dinheiro para rodar por estradas do interior. Em todas elas também houve um aumento no número de praças de pedágio. O exemplo mais evidente é o da Rodovia Raposo Tavares, que terá 457 quilômetros privatizados entre Ourinhos e Presidente Epitácio.
O trecho tem hoje duas praças de pedágio. Com o início da concessão, provavelmente a partir do segundo semestre de 2009, ele ganhará outros quatro postos. O motorista que percorre toda a extensão numa única direção gasta R$ 4,60. Com a concessão, o valor vai quadruplicar. O carro que faz o trajeto Ourinhos/Presidente Prudente não paga pedágio agora. Após a privatização, as tarifas do trecho somarão R$ 14,60.
No trecho leste da Rodovia Marechal Rondon, os gastos com pedágio também vão aumentar bastante. A viagem entre Campinas e Bauru, por exemplo, custa hoje R$ 7,40 em tarifas. Com a abertura de mais pontos de cobrança e a adoção dos novos valores, o gasto será mais que o dobro, totalizando R$ 18,80. A situação é praticamente a mesma no trecho oeste da Marechal Rondon e na Dom Pedro I.
A assinatura dos contratos com as concessionárias deve acontecer em dezembro. Imediatamente os consórcios têm que iniciar os trabalhos de melhorias na pista, antes de cobrar o pedágio. Nas estradas que já têm praças de cobrança, haverá tarifa diferenciada até a conclusão da primeira fase de obras.
A previsão de mais gastos com pedágio irritou representantes dos caminhoneiros, mas o secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce, defendeu a concessão dos novos lotes de rodovias. Segundo ele, a medida é fundamental na recuperação das estradas paulistas, já que os governo do estado não tem recursos suficientes para investir em toda a malha viária paulista.
- O melhor dos mundos seria termos boas estradas sem pedágios, mas a realidade mostra que isso não é possível, nem mesmo em países do primeiro mundo. O pedágio é necessário - disse ele.
Arce argumenta que o aumento dos gastos com tarifas é natural, já que há estradas e trechos concedidos que hoje não tinham cobrança.
- Claro que, se começamos a cobrar onde hoje não há cobrança, há um aumento ao infinito. O motorista pagava zero e vai passar a pagar, por exemplo, R$ 4. Mas é melhor cobrarmos de quem usa a estrada. A outra solução seria aumentar impostos, o que significa que todos os contribuintes estariam pagando pela estrada, mesmo sem usá-la - explicou.
Fonte: O Globo Online