A falta de especificações técnicas e o atraso da entrega pela Petrobras do diesel S-50 para a indústria para testes estão gerando impasses em relação às formas de cumprimento da legislação para a redução de emissões de poluentes em veículos movidos a diesel. "Temos uma etapa para a diminuição dos níveis de emissões em janeiro de 2009, que dificilmente será cumprida", afirma o diretor das Comissões Técnicas da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (Sae Brasil), Luso Ventura.
Os produtores de motores serão um dos setores mais afetados com as mudanças. O momento confuso está fazendo com que a subsidiária brasileira da empresa americana Cummins corra atrás da adequação. "Temos desenvolvido tecnologias para atender as taxas de emissões e conseguir preços competitivos", afirma gerente de Marketing, Luis Chain.
De acordo com ele, a companhia já possui na Europa modelos que atenderiam a nova legislação brasileira, mas que "é necessário ter o desenvolvimento das aplicações no Brasil". "Existe uma série de condições para a adaptação", afirma Chain.
A mesma alegação da Cummins foi feita pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) em nota.
"Ao contrário do que se afirma não é possível transplantar para o País tecnologias de motores produzidos no exterior ou importá-los e incorporá-los aos veículos aqui produzidos, uma vez que atendem a soluções técnicas diferentes das especificações brasileiras".
De acordo com a Anfavea, as especificações do diesel foram editadas apenas em novembro de 2007, o que leva a indústria a considerar um prazo de três anos para adequação. "Esse prazo é absolutamente necessário para o desenvolvimento de novos motores, que exigirá novos parâmetros tecnológicos, calibração, testes em bancada, testes de campo, homologação, desenvolvimento de fornecedores e outros requisitos", afirmou nota da Anfavea.
Mas enquanto a questão não é solucionada, a indústria que abastece os fabricantes de veículos não sabe como enfrentar essa confusão. Atualmente, diversos fornecedores de autopeças trabalham com mais de uma regulamentação, pois além do mercado interno exportam seus produtos para Europa, Estados Unidos e outros países emergentes.
A Anfavea afirmou que diante da impossibilidade técnica e também temporal para o atendimento da etapa imposta, "a indústria de veículos a diesel buscará soluções junto às áreas competentes".
Fonte: Valor Econômico