24.06.2008

Companhias usam mais o transporte rodoviário

A escalada nos preços do petróleo e do querosene de aviação começou a abalar os custos das empresas de logística, como DHL, TNT e FedEx. Com a alta nos preços dos fretes aéreos, as transportadoras já começaram a utilizar mais o serviço rodoviário no mercado nacional para tentar conter os gastos. No mercado de carga internacional, porém, não há alternativas, já que os custos dos fretes marítimos também não param de subir.

No mercado externo, a taxa de combustível é cobrada separadamente do valor do frete. Normalmente, o adicional de querosene costumava ser menor do que o custo do transporte em si, mas, com a forte alta nos preços do petróleo, essa relação já se inverteu, segundo a Ceva Freight Management, multinacional de logística. "Enquanto o frete do quilo custa US$ 1,40, o adicional de combustível varia entre US$ 1,70 e US$ 1,90 em destinos de longo curso", diz Dulce Alves, diretora de operações da Ceva.

Segundo a DHL, multinacional de entregas expressas e serviços de logística em geral, as despesas com o combustível equivaliam a 10% da tarifa de frete e agora já representam 30% do valor.

O impacto da sobretaxa de combustível é maior na importação de produtos para o Brasil. O motivo disso é que as companhias aéreas, em outros países, têm liberdade para estipular o valor da sobretaxa. Mas para o transporte que se inicia no Brasil - ou seja, para exportação -, o adicional de combustível é limitado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

"Hoje, o valor máximo permitido é de US$ 0,60 por quilo, mas esse preço não é atualizado há dois anos", afirma Norberto Jochmann, diretor da Junta dos Representantes das Companhias Aéreas Internacionais no Brasil (Jurcaib) e principal executivo da Absa Cargo, empresa aérea de carga internacional. No fim de 2007, segundo Jochmann, a Anac comunicou que preparava uma medida para liberar os preços, mas isso ainda não aconteceu. "Então, por causa da alta recente do petróleo, algumas empresas reajustaram a taxa por conta própria, embora ainda não exista um respaldo legal", diz.

"Mesmo com o custo maior na importação, não temos visto retração de demanda porque o real valorizado está estimulando esse movimento", diz Alves, da Ceva. "A verdade é que quem precisa transportar já se acostumou com a ascensão da taxa do combustível."

No mercado doméstico, empresas como TAM e Gol já reajustaram os fretes em 10% no início de junho - combustível e frete são cobrados numa só tarifa no Brasil. A TAM afirmou, por e-mail, que vem repassando parte do aumento dos custos de combustível, mas não revelou o tamanho do reajuste ao longo deste ano. "Estamos repassando (...), reduzindo a pressão sobre nossas margens, de modo que a operação de cargas continue contribuindo para uma maior lucratividade da empresa", afirmou. A Gol não forneceu informações.

O aumento dos preços está levando a DHL a estudar a substituição do transporte aéreo por rodoviário no mercado doméstico. "Avaliamos toda a cadeia de logística do cliente para mostrar as opções", diz Juliana Vasconcelos, diretora de marketing da DHL. A empresa de logística TNT informou, por e-mail, que também tenta "encontrar a composição certa" entre as diferentes opções de transporte, mas usa "o rodoviário sempre que possível". Nos dois segmentos, doméstico e internacional, a DHL afirma que está absorvendo uma parte da elevação de custos. Já a TNT afirmou que tem conseguido repassar os aumentos aos clientes. "Até agora, a alta dos preços do petróleo não teve nenhum impacto material sobre nossa previsão de margens e receita."

O preço do querosene de aviação (QAV) subiu cerca de 49% nos primeiros seis meses deste ano, conforme a cotação do Golfo do México. Já o insumo vendido no Brasil, cujo preço é definido pela Petrobras, aumentou 30,5% entre janeiro e junho em relação ao mesmo período de 2007. Já o diesel, principal combustível usado no transporte rodoviário, teve reajuste de 15% neste ano. Em compensação, a contribuição embutida no preço do produto (Cide) foi reduzida.

Além de substituir o transporte aéreo por rodoviário, Juliana, da DHL, conta que a empresa tem pressionado as companhias aéreas para que reduzam custos - uma das formas de fazer isso é operando aviões mais novos e econômicos ou reduzindo operações menos rentáveis. Embora possua sua própria frota no exterior, a DHL utiliza, no Brasil, apenas aviões das companhias aéreas que têm operações no país.

No mercado doméstico, entretanto, a queixa em relação às companhias aéreas não está relacionada aos custos de operação, mas à abertura para discutir preços. "Com duas empresas aéreas dominando o mercado, simplesmente não há negociação da parte delas", afirma a executiva da DHL. A TAM e a Gol (inclui a Varig) controlam 95% do mercado aéreo de passageiros. Não há estimativas para o mercado de carga, mas calcula-se no setor que a participação da TAM e da Gol também seja elevada. Juntas, elas têm 218 aeronaves, cujos porões são usados no transporte de carga. A VarigLog, concorrente mais direta, está voando com apenas sete aeronaves em meio a uma briga societária e crise financeira.

Fonte: Central do Transporte



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