Câmbio, encarecimento da mão-de-obra e custo logístico do Brasil já tiram os fornecedores nacionais de autopeças e insumos da competição com empresas internacionais. O novo diretor de compras do Grupo Fiat para o Brasil e a América Latina, Osias da Silva Galantine, afirmou nesta segunda-feira (14), durante Seminário AutoData de Compras Automotivas, em São Paulo, que a montadora passará a importar pneus e rodas de liga leve da China. A economia com a importação chegará a 10% e 20%, respectivamente.
De acordo com Galantine, a manobra serve para aliviar as fabricantes nacionais, que têm parte da produção comprometida com o mercado de reposição, e também para conhecer melhor os fornecedores estrangeiros. "A idéia é trazer 40 mil pneus por mês. Vamos experimentar. O preço já se mostra competitivo mesmo com o custo para a importação", diz.
O temor de uma falta de abastecimento de pneus é rebatido pelo presidente da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), Eugenio Deliberato. "Não faltarão pneus. A indústria investiu e consegue dar conta da demanda", afirma.
Apesar da busca por fornecedores fora do país, o diretor de compras da Fiat garante que o objetivo é equilibrar preços e volumes, mas que o trabalho da montadora é focado na indústria nacional. "Isso incentiva os fornecedores nacionais a se tornarem competitivos. Só não podemos trabalhar com a capacidade no limite", acrescenta Galantine.
Em relação aos insumos, a Fiat já importa aço da Coréia, com valor 15% mais barato. "É um teste, mas a experiência está sendo positiva", afirma. Galantine acredita que não faltará aço para a indústria.
Quatro plataformas
O Grupo Fiat busca preços mais competitivos para conseguir, até 2011, concluir o plano de produzir com apenas quatro plataformas de veículos leves para os segmentos A, B, C e D, ou seja, dos mais luxuosos aos mais baratos. "Por plataforma, o volume será de 800 mil unidades para os segmentos A e B e de mais de 1 milhão de unidades para o segmento D", revela o coordenador das compras de todas as companhias do grupo Gianni Coda.
O executivo diz que a empresa procura fornecedores na Índia, China e Europa Oriental. Segundo ele, o Brasil já saiu da lista de baixo custo.
Na análise da presidente da consultoria Booz Allen Hamilton, Letícia Costa, as vantagens brasileiras sobre países como China, Índia e Rússia ainda são qualidade e capacitação. "Se não resolvermos gargalos como logística e energia não há indústria sustentável", alerta.
Fonte: G1, em São Paulo