19.03.2008

Importação: agora é a hora?

Com o dólar em queda, apostar no mercado de importados tornou-se mais atraente. Mas é preciso ter cautela e conhecimento

Apesar do crescimento de 29,8% das importações em 2007, em comparação com o ano anterior, frente ao crescimento de 16,5% das exportações, no mesmo período, o empreendedor que deseja investir no segmento também deve considerar a hipótese do dólar sofrer uma valorização em relação ao real, em função de uma eventual recessão no cenário mundial. Quem adverte é Celso Grisi, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI).

Por isso, antes de empreender, é importante ter consciência das oscilações do câmbio e não avaliar apenas o momento favorável. "No caso de pequenas importadoras é aconselhável restringir-se ao atacado, opção que permite dispor de mais tempo para gerir o negócio, buscar o melhor frete, os melhores preços de produtos, condições de pagamento, etc", avalia José Manuel Meireles de Sousa, consultor em estratégias e internacionalização de empresas do IDORT/SP.

Trabalhar no vazio da produção nacional é outra boa oportunidade. Nos últimos anos, o consumidor brasileiro adquiriu um padrão internacional de consumo e tudo o que não existir no Brasil, nas quantidades e no padrão de qualidade nacional, pode ser objeto de desejo do consumidor. No entanto, o empreendedor, antes de investir em um produto inédito, deve pesquisar sua aceitação, além de disponibilizar os respectivos serviços de assistência técnica e as garantias de pós-venda.

Segundo o professor Grisi, a perspectiva de lucro não se restringe somente à importação para fins comerciais, pois vários setores da indústria também estão sendo lançando ao mercado externo em busca de fornecedores de insumos e maquinários.

RISCOS E VANTAGENS

Os maiores riscos são os que decorrem do empreendedor restringir-se a pensar na conjuntura financeira – no câmbio. “É preciso ter uma visão abramgente e de longo prazo e estar comprometido com o próprio negócio”, diz Grisi.

O aumento no número de empresas importadoras também é um risco, pois pode fazer com que o governo adote uma postura mais protecionista no tocante à abertura do mercado. “As pressões do setor têxtil brasileiro, que contabilizou prejuízo devido à concorrência da importação, por exemplo, conduziram à elevação do imposto e, consequentemente, onerou os ganhos dos importadores de tecidos", explica Ruy Dourado, sócio do escritório Dourado Fialdini Penna Tilkian Advogados, advertindo que o empresário ainda deve ficar atento à forte concorrência existente nessa atividade, principalmente no que se refere à busca de bons fornecedores no exterior.

IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO

Fundada em 1980, na capital paulista, a Mr. Man importava e distribuia uma linha de sementes e grãos selecionados e exclusivos. Em 1990, quando Diego Man assumiu o posto do pai, Jorge Man, a empresa passou a focar cada vez mais no atacado, nas redes de supermercado e restaurantes e na importação de vinhos. "Trazemos garrafas de todas as partes do mundo, como a Valentin Bianchi (Argentina), Dante Robino (Argentina) e Aresti (Chile), além de marcas como Cruse (França)", diz Diego Man.

A Mr. Man tem como objetivo trazer novidades, qualidade e preço atraentes para seus clientes - empórios, delicatessen, restaurantes, banqueteiros e supermercados de todos os portes. "A globalização nos deu mais acesso a uma gama maior de produtos, mas vale lembrar a importância de ser criterioso quanto aos itens que devem integrar o portfólio e quanto dos desejos do consumidor. Conquistar a confiança do exportador e obter credibilidade do mercado interno não é tarefa simples", diz Diego Man.

Outro ponto importante do negócio é a distribuição. Quando você procura um produto tem que saber antecipadamente quem e como poderá comprá-Io. Assim como descobrir lacunas no mercado em que atua e nunca esquecer que, "neste segmento, um desafio constante é enfrentar as mudanças na legislação, impostos e taxas, que alteram as regras do jogo do dia para a noite", desabafa o empresário.

FOCO NA PEQUENA INDÚSTRIA

Representante comercial de uma multinacional, Tamas Vero vislumbrou a possibilidade de encurtar a distância entre pequenos fabricantes de filmes plásticos e pequenos e médios fabricantes de embalagens. Assim, em 2000, ele montou a TIV Plásticos, em São Paulo. “Como tinha vasto conhecimento em importação, inglês fluente e boa entrada no segmento, considerei essas vantagens na hora de empreender", conta Vero, que importa filmes plásticos do tipo BOPP, PET e BONYLON, oriundos de países como a China, Israel, Índia, Itália, Estados Unidos e Argentina.

A TIV atua no mercado de distribuição de filmes flexíveis, comprando bobinas e depois refilando, de acordo com as necessidades de seus clientes, os convertedores (fabricantes de embalagens plásticas para produtos alimentícios, artigos para presente, entre outros). Segundo Vero, o segmento está crescendo pontualmente e a baixa do dólar tem ajudado bastante, pois mantém os preços locais competitivos. “Graças ao Real forte, a TIV conseguiu produtos no mercado externo a preços competitivos, muito mais baratos, e com mais variedades, do ao oferecido no Brasil”, diz.

No início, a experiência de atender grandes empresas teve de ser revista. "As necessidades, condições e procedimentos de compras dos pequenos são bem distintas. Mas o conhecimento em importação foi muito vantajoso para conseguir crédito junto aos fabricantes internacionais e boas negociações e, assim, conquistar os pequenos e médios converte dores com preços bem mais atraentes que o da concorrência", explica.

Um comum atravancador dos negócios é a burocracia brasileira. No ramo da importação não é diferente e dispor de uma boa infra-estrutura para contornar situações adversas é imprescindível. "Se o processo de importação não estiver de acordo com as normas federais, haverá prejuízo, pois a entrega atrasará e a empresa importadora é quem arca com taxas portuárias, diárias de contêineres, multas, etc.", complementa Vero.

PÓS-VENDA

Em 1985, o engenheiro Koiti Nakahara constatou que faltavam equipamentos médicos com alta tecnologia e bom custo/benefício no mercado. Para suprir esta necessidade, ele fundou, em São Paulo, a Dibmed, empresa importadora de máquina de hemodiálise, eletrocardiógrafo e bombas de infusão, de origem japonesa. "Os produtos são comercializados diretamente com os clientes finais, que são hospitais e clínicas médicas", conta Nakahara.

Segundo o empresário, o mercado de equipamentos sofisticados é crescente devido à necessidade de desenvolvimento tecnológico constante e produção em larga escala, o que é muito difícil nos países em desenvolvimento, como o Brasil, portanto, uma boa opção de negócio.

Mas pelas particularidades desses equipamentos, é fundamental investir em um bom pós-venda. A Dibmed criou um Departamento Técnico com aparelhos de teste e simulação, além de treinar e certificar seu corpo técnico nas fábricas do Japão. "Entretanto a dificuldade mais evidente do setor continua sendo a parte burocrática junto aos órgãos governamentais para as documentações necessárias, até a autorização de importação. Para driblar esse obstáculo, uma boa dica é se associar a alguma instituição. Nós fazemos parte da Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed)", ensina o empresário.

No caso da Dibmed, a baixa do dólar não chega a refletir estrategicamente no negócio, afinal, no Japão, o dólar também está em baixa, o que dificulta manter o preço ou conceder descontos mais atraentes. Isso é uma peculiaridade que depende do setor atendido e do pai com o que o importador está se relacionando, por isso, é extremamente importante que o futuro empreendedor tenha conhecimento da área em que atuará, antes de se lançar no mercado.

Foi o que fez o administrador Fabrício Fassina antes de fundar a importadora Laguna. Por um ano ele pesquisou a demanda do mercado de pneus de carga para ônibus e máquinas e também de passeio para automóveis, e apurou as falhas no segmento, como a falta de preocupação com a fidelização, proximidade com os clientes e a continuidade de fornecimento. Só ai, em 2006, Fassina dedicou-se por importar os produtos das marcas Austone, Aeolus, Ranger e Belshina, provenientes da China e Rússia, para abastecer, prioritariamente, a cidade de Santos, litoral sul de São Paulo.

Cerca de 80% dos pneus de carga são vendidos para clientes finais (transportadoras e frotistas) e 20% para revendas. "Os pneus de passeio, 100% são vendidos para revendas, pois é um mercado que demanda atendimento direto ao público através de lojas ou site. No momento, a Laguna não possui loja física, mas já faz planos para a realização de venda direta pela internet", adianta Fassina.

Em 2007, a importação de pneus cresceu mais de 50% e alcançou aproximadamente 20% de market share entre os pneus de carga e passeio. "A importação é um ótimo negócio para empresas que enxergam e conseguem administrar quase todos os riscos do setor e sabem escolher muito bem os fornecedores estrangeiros com quem trabalham", avalia o empresário.

Importação é um segmento bastante complexo e exige um conhecimento em comércio exterior. Os processos são burocráticos e, algumas vezes, morosos. É imprescindível estar bem assessorado neste ramo, principalmente na seleção de empresas terceirizadas, como despachantes aduaneiros e operadores logísticos, para garantir êxito nas operações.

Também se faz necessário um bom planejamento, pois, para a mercadoria estar disponível para a venda, tem que se identificar a demanda com pelo menos três meses de antecedência para o pedido ser colocado na fábrica, produzido, embarcado, desembarcado e nacionalizado.

Outro fator muito importante é a adequação do fluxo de caixa da empresa, uma vez que a mercadoria importada geralmente é paga à vista, de forma antecipada, e os clientes, em contrapartida, exigem prazo para realizar o pagamento.

A OPÇÃO DE REVENDER

IMPORTAÇÃO AGREGA VALOR

QUANTO INVESTIR?





Pesquisa de Pneus


LAGUNA Pneus
comercial@lagunapneus.com.br
(11) 3522.8183 / (11) 3624.8183
(11) 3624.8174

(13) 3219.3018 / (13) 3216.1677